Intolerância à lactose: e agora, o que fazer?

Chamamos de intolerância à lactose a deficiência na capacidade do organismo de digerir a lactose, um açúcar presente no leite e seus derivados. Essa deficiência consiste na produção insuficiente da enzima lactase, que é capaz de quebrar a lactose.

A presença de lactose no organismo de quem é intolerante causa problemas de ordem intestinal, tais como diarreia, dores abdominais, ânsia de vômito, mal-estar e inchaço abdominal.

Separamos, a seguir, as principais causas da intolerância à lactose e suas consequências para o corpo humano. Confira!

Causas

Embora o leite e seus derivados sejam bastante nutritivos, a permanência desse alimento na dieta posterior à idade de amamentação não é algo natural. Dessa forma, a tolerância do organismo à presença de lactose tende a decrescer proporcionalmente ao aumento da idade.

Classificamos a intolerância relacionada ao envelhecimento do organismo como intolerância à lactose primária, que se evidencia pela progressiva ineficiência na produção de lactase ao longo dos anos. Após certo período, o declínio na secreção de lactase é tão expressivo que acaba resultando na intolerância.

Entretanto, em algum momento da evolução humana, alguns indivíduos passaram a ter maior grau de produção da enzima lactase, provavelmente por motivos de escassez alimentícia. Os indivíduos capazes de digerir a lactose se sobressaíram em relação aos não tolerantes e o gene responsável foi se perpetuado nas gerações seguintes.

Mesmo assim, algumas etnias contemporâneas apresentam menor grau de tolerância dentro de sua população, como é o caso de muitos indivíduos de origem asiática.

Isso nos leva à outra causa possível para a presença da intolerância à lactose: a congênita. Nesse caso, o indivíduo intolerante não possui uma genética favorável à produção de lactase, não sendo capaz de digerir a lactose presente no leite.

Há ainda uma terceira possibilidade de causa para o quadro, que são as sequelas provocadas por algumas doenças que afetam o intestino delgado, que é onde a lactase é produzida.

Pode-se citar a Doença de Crohn (enfermidade crônica inflamatória que acomete o aparelho intestinal ou até mesmo qualquer outro órgão do sistema digestivo), a Doença Celíaca (intolerância ao glúten) e a Gastroenterite como distúrbios que, possivelmente, levam a uma situação de intolerância à lactose secundária.

Sintomas

A intolerância à lactose provoca sintomas de origem intestinal por ser relacionada à presença da lactose no intestino grosso. Em indivíduos tolerantes, a quebra desse açúcar é realizada ainda no intestino delgado, onde será liberada a lactase para a devida digestão da molécula.

Entretanto, a persistência dessa molécula na passagem para o intestino grosso aciona processos de fermentação por parte das bactérias da flora intestinal. Essa fermentação possui como subproduto a formação de ácido láctico e gases, o que é basicamente a causa do desconforto abdominal. Há ainda a retenção de água decorrente do processo, dando origem à diarreia.

Vale ressaltar a existência de indivíduos com alergia ao leite, o que é bastante diferente da intolerância à lactose. A presença de algumas proteínas do leite no organismo dessas pessoas ativa processos alérgicos, que acarretam alterações intestinais, na pele e nas vias respiratórias.

Ajuda médica

A convivência com a intolerância à lactose pode ser bastante incômoda quando não se segue as orientações corretas. Dessa forma, no caso de qualquer suspeita, é importante procurar ajuda médica o quanto antes.

É interessante que antes da consulta sejam levantados todos os sintomas percebidos e em quais tipos de situação acontecem, assim como há quanto tempo o problema vem ocorrendo. Esse levantamento de dados não só agiliza a consulta como também auxilia na investigação do especialista para a chegada a um diagnóstico correto.

Diagnóstico

O diagnóstico da intolerância à lactose é realizável por intermédio de três tipos de exame: o teste de intolerância à lactose, o teste de hidrogênio na respiração e o teste de acidez das fezes.

O teste de intolerância à lactose é o único oferecido gratuitamente pelo SUS. Esse exame é feito depois de um período de jejum, quando o paciente recebe uma dose consideravelmente alta de lactose. Depois de algumas horas são colhidas amostras de sangue, a fim de medir os níveis de glicose.

Normalmente, a ingestão de lactose aumenta a glicemia do indivíduo, por ser um açúcar. Entretanto, em um cenário de intolerância à lactose, a produção da enzima lactase é deficiente e, portanto, não há degradação desse açúcar e nem a elevação dos níveis de glicose no sangue. Assim, a inalteração da glicemia do paciente depois do recebimento de lactose indica intolerância.

É possível ainda chegar ao diagnóstico por meio do teste respiratório do hidrogênio expirado. Esse exame é utilizado para diagnosticar várias enfermidades com sintomas gastrointestinais.

Como já foi dito, em caso de intolerância à lactose, a presença da molécula desse carboidrato no intestino grosso favorece a fermentação láctica da flora bacteriana intestinal.

Essa fermentação provoca a liberação de hidrogênio, uma vez que essas bactérias são as únicas presentes no corpo humano capazes de liberar esse gás. Ou seja, esperado um certo período de tempo após a ingestão de lactose é realizada a medição do nível de hidrogênio expirado pelo paciente. A elevação do nível de hidrogênio expirado é um indicativo para a condição de intolerante à lactose.

Já o teste de acidez das fezes costuma ser realizado em bebês ou qualquer paciente que não possa realizar os outros exames. A fermentação da lactose no intestino grosso libera o ácido láctico, o que faz com que a acidez das fezes seja aumentada consideravelmente.

Tratamento

O convívio com a intolerância à lactose demanda certos cuidados acerca da escolha dos alimentos da dieta. A priori, são suspendidos da alimentação leite e qualquer alimento que apresente lactose em sua composição. Essa medida é fundamental para que os sintomas sejam abrandados.

Posteriormente, sob supervisão do especialista, deve-se reintroduzir, gradativamente, os alimentos que possuem lactose, de modo que sejam medidos os níveis de tolerância do indivíduo. O cálcio presente no leite é um nutriente essencial para a boa saúde do organismo e, por isso, não é recomendável a abolição integral de leite e derivados da dieta.

Recomendações

É importante que indivíduos com intolerância à lactose tenham a preocupação de substituir a ausência de leite e derivados na dieta por outros alimentos ricos em cálcio. Podemos citar, como alguns exemplos de substitutivos, os leites de origem vegetal, tais como o de soja, de arroz e o de amêndoa. Vale a pena também aumentar a ingestão de folhas verdes, como couve, brócolis e agrião, que também são ricos em cálcio.

Junto aos cuidados com a dieta, deve-se sempre procurar orientação médica para chegar a um diagnóstico seguro. Além disso, é recomendável ainda que seja feito um acompanhamento com um nutricionista ou um nutrólogo para que não haja carência nutricional pela retirada do leite e derivados da alimentação do paciente.

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Sobre Blog BEM SAUDÁVEL

Este blog é uma iniciativa da Unimed Belém e, o seu conteúdo, é voltado para orientar e inspirar pessoas que buscam uma vida mais saudável, feliz e equilibrada.

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