O que é e como funciona o efeito placebo?

Você sabia que comprimidos de açúcar e farinha podem tratar algumas doenças? Ou que uma pastilha de vitamina C é capaz de resolver uma dor de cabeça? Isso pode até parecer mentira, mas, na verdade, é ciência e tem nome: efeito placebo.

O efeito placebo vem sendo pesquisado desde a década de 50 e é essencial para o desenvolvimento de novas drogas em todo o mundo, além de potencialmente servir para o tratamento de algumas doenças.

Mas afinal, o que é efeito placebo? Como a ciência explica esse fenômeno? Quais doenças podem ser tratadas? As respostas para essas e outras perguntas estão aqui no post! Confira!

O que é efeito placebo?

O nome placebo vem do latim placebo e significa “agradarei”, indicando que o seu objetivo é mais agradar e deixar o paciente satisfeito do que realmente beneficiar a sua saúde, embora esse benefício possa ocorrer de alguma forma devido ao efeito placebo.

O efeito placebo é um fenômeno da fisiologia animal no qual a simples crença de que um tratamento está sendo realizado é suficiente para que esse tratamento tenha algum efeito.

Na prática, isso significa que um paciente pode relatar melhora de sintomas com o uso de comprimidos de açúcar ou farinha sem qualquer princípio ativo farmacológico, e pacientes que foram submetidos a cirurgias falsas que receberam apenas pequenas incisões na pele podem se sentir curados.

O mais interessante é que o efeito placebo parece ser comum na natureza e está presente em vários outros animais, incluindo cães e hamsters, além de também poder provocar efeitos colaterais mesmo quando não há nenhuma substância ativa.

Nesse caso, o efeito recebe um nome especial — efeito nocebo — e é mais frequente quando o indivíduo acredita que os efeitos colaterais são comuns após o uso daquele medicamento.

Como o efeito placebo funciona?

A ciência ainda não consegue explicar o efeito placebo completamente, mas já se sabe que o contexto da administração do medicamento é muito importante para que a resposta ocorra.

É necessário que o organismo acredite que está recebendo um tratamento para que ele reaja de forma apropriada e o cérebro ative regiões que reduzem a liberação de hormônios do estresse e melhoram o funcionamento do sistema imune, por exemplo.

Outra possível explicação é a da atenção seletiva. Quando se cria a expectativa de melhora dos sintomas, a mente busca sinais que comprovem essa ideia e ignora os sinais contrários. Ou seja, se o remédio deveria aliviar a dor, o corpo simplesmente consegue ignorar o desconforto e realizar outras atividades.

Alguns fatores que podem influenciar o efeito placebo são:

  • forma de administração do medicamento (via oral ou intravenosa);
  • cor e formato do comprimido;
  • número de doses tomadas ao longo do dia;
  • presença do nome da marca no comprimido;
  • quantidade de comprimidos em cada ingestão;
  • a expectativa do paciente com o tratamento;
  • complexidade do ritual de consulta e realização de exames antes do tratamento;
  • força da relação médico-paciente;
  • nacionalidade e cultura do indivíduo;
  • nível de confiança da sociedade na ciência e na tecnologia médica.

Uma grande surpresa das pesquisas mais recentes é que nem sempre o paciente precisa ser enganado quanto ao tratamento para que o efeito placebo ocorra.

Em um estudo com pomadas analgésicas, mesmo quando os pacientes sabiam que a pomada não continha um princípio ativo e assistiam a uma palestra sobre o efeito placebo, eles continuavam relatando uma melhora considerável da dor.

Quais as aplicações do efeito placebo?

A grande importância do efeito placebo é seu uso em pesquisas que avaliam a eficácia de um medicamento. Em geral, os pacientes são divididos em dois grupos. Um grupo recebe o placebo (grupo controle) e o outro recebe o medicamento verdadeiro.

O ideal nesses casos é que nem o médico nem o paciente saiba a composição do comprimido tomado, em um tipo de estudo chamado de duplo cego, para evitar qualquer tipo de viés. No final da pesquisa, os pacientes dos dois grupos são avaliados e comparados.

Quando o grupo que tomou o medicamento verdadeiro tem uma melhora mais significativa do que o grupo que tomou o placebo, o remédio é considerável eficaz e pode ser liberado para o mercado.

Quando os dois grupos apresentam resultados semelhantes, entende-se que o medicamento não funciona e qualquer tipo de melhora ocorre por mero efeito placebo, o que não é interessante para o mercado ou para a indústria farmacêutica.

Outra possibilidade é que o efeito placebo seja justamente explorado para tratar pacientes que sofrem de doenças com causas emocionais e psicológicas que não melhoram com outros medicamentos, como depressão refratária, distúrbios do sono, ansiedade, síndrome do intestino irritável e dor crônica. Nessas situações, o placebo pode gerar uma resposta positiva com baixo risco de efeitos colaterais.

O efeito placebo pode realmente curar o paciente?

Depende da doença. Quando o problema é psicossomático e é gerado apenas por medos e ansiedades do próprio indivíduo, o placebo pode ser a solução.

Mas quando há um processo fisiopatológico mais concreto com alterações físicas, o placebo gera uma sensação de alívio e melhora dos sintomas para o paciente sem alterar em nada o processo de doença.

Em 2011, um estudo da Universidade de Harvard mostrou que o grupo de pacientes com asma que recebia tratamento com uma bombinha sem medicamento relatava a mesma melhora que o grupo de pacientes que tinha recebido o tratamento tradicional. Mas quando eles eram avaliados objetivamente com exames de função pulmonar, ficava claro que o placebo não tinha provocado qualquer melhora verdadeira.

O efeito placebo só ocorre com medicamentos e tratamentos médicos?

Não. Quando um indivíduo acredita estar consumindo bebidas alcoólicas, ele começa a apresentar sinais de embriaguez e apresenta uma performance reduzida em testes cognitivos e de inteligência mesmo que, na verdade, ele não tenha ingerido álcool.

Da mesma forma, quando o participante de uma pesquisa acreditava que a plataforma de videogame havia sido criada especialmente para ele de forma individualizada, ele relatava ter se divertido mais e notado diversos sinais que comprovavam a personalização do jogo, embora isso não tivesse realmente ocorrido. Fenômenos como esses também são consequências do efeito placebo.

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Sobre Blog BEM SAUDÁVEL

Este blog é uma iniciativa da Unimed Belém e, o seu conteúdo, é voltado para orientar e inspirar pessoas que buscam uma vida mais saudável, feliz e equilibrada.

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