Dependência do celular: saiba como tratar a Nomofobia

Os celulares permitem que você esteja conectado a todos os acontecimentos em tempo real: é possível passar horas trocando mensagens em aplicativos de conversa, lendo portais de notícia, ouvindo música ou jogando para se distrair.

Porém, se usada em excesso, essa tecnologia também pode provocar um fenômeno chamado nomofobia, que consiste na dependência do aparelho celular em um nível tão preocupante que pode trazer inúmeras consequências negativas para o seu dia a dia.

Desconfia que algum conhecido esteja passando por isso ou que esteja acontecendo com você mesmo? No post de hoje, você vai saber mais sobre os sintomas, características para fazer o diagnóstico e qual é o tratamento recomendado. Boa leitura!

Nomofobia: o que é e por que ocorre?

A nomofobia é um distúrbio psicológico causado pelo uso contínuo do celular. Ela pode ser resumida como uma sensação de dependência entre você e o aparelho, resultando em uma série de problemas no cotidiano tanto para quem sofre do fenômeno quanto para quem está à sua volta.

O nome nomofobia vem da expressão em inglês “no mobile phone phobia”, que pode ser traduzido como “medo de não estar com o telefone celular”. Apesar da nomenclatura, não se trata exatamente de uma fobia, mas sim de uma série de sensações que envolvem ansiedade e dependência.

Esse termo foi criado no Reino Unido em 2008 por um grupo de pesquisadores que detectou um padrão comportamental diferenciado em participantes que estavam sem o celular e pareciam afetados demais por isso. Com o passar dos anos, o número de voluntários afetados cresceu significativamente, o que fez com que o fenômeno passasse a ser ainda mais estudado.

Em geral, a nomofobia ocorre por conta de um vínculo de dependência estabelecido entre o usuário e o aparelho. Em outras palavras, você utiliza tanto o objeto em seu cotidiano que acaba conferindo a ele importância e necessidade de proximidade muito maior do que deveria.

E esse tipo de transtorno da vida contemporânea é compreensível: segundo uma pesquisa do instituto Deloitte feita em 2016, 8 em cada 10 brasileiros têm ao menos um celular e eles passam, em média, 4 horas olhando para a telinha. Além disso, de acordo com o mesmo estudo, a necessidade de estar atualizado a qualquer custo existe: 32% dos entrevistados têm como primeiro hábito do dia já checar o aparelho em busca de mensagens recebidas e novidades.

Apesar de fazermos associação quase direta entre a dependência e o tempo de uso do aparelho, nem sempre isso é verdade, mas vale a pena ficar atento ao tempo de exposição, que pode ser um dos sinais da nomofobia.

Quais são os sintomas da dependência do celular?

Os sintomas mais clássicos da nomofobia são consequências diretas da ausência do aparelho por perto. Isso inclui:

  • ansiedade;
  • agitação;
  • crises de pânico;
  • impulsividade;
  • distúrbios do sono;
  • dificuldade de concentração.

Esses sinais não devem ser negligenciados, porque o quadro pode evoluir para depressão e ocasionar problemas físicos. O uso do eletrônico em uma postura desconfortável, por exemplo, pode gerar problemas de coluna, e olhar para a tela do aparelho durante muito tempo costuma gerar problemas de visão.

Procrastinação e problemas de produtividade também estão relacionados com o fenômeno: quem se atrasa para algum compromisso ou deixa de entregar tarefas com frequência por não ver o tempo passar enquanto usa o aparelho pode estar com nomofobia e nem desconfiar disso.

Sinal de alerta

A nomofobia também pode ser notada em pessoas que se isolam dos círculos sociais, passando a não sair de casa e desenvolvendo sedentarismo. Em outros casos, o indivíduo até está presente em eventos, mas não deixa o telefone de lado para interagir.

Os contatos virtuais tornam-se mais relevantes do que os físicos e o medo de perder a conexão com eles também faz parte do distúrbio. O comportamento de quem sofre desse mal fica bastante alterado nas situações em que ela percebe que está sem acesso à internet móvel ou quando percebe que deixou o aparelho em casa.

Outro sintoma recorrente é a dependência do telefone celular e de suas funções para realizar tarefas que poderiam ser realizadas sem o eletrônico. Isso vale para efetuar contas matemáticas simples, lembrar-se de nomes de amigos ou parentes e saber rotas de trânsito, por exemplo.

Quem sente a necessidade de checar as notificações ou verificar a chegada de mensagens a todo momento também pode ser um dependente do celular. Esse caso é especialmente relevante — e perigoso — para quem usa o aparelho em momentos inadequados, como em reuniões ou no trânsito.

Como fazer o diagnóstico?

Identificar os sintomas ou notar a presença das situações descritas acima é um sinal de que você ou algum parente ou colega sofrem de nomofobia. Porém, um diagnóstico mais preciso deve ser realizado por um profissional especializado.

Além disso, a conversa com amigos e parentes é muito decisiva nesse momento. Pessoas de confiança podem passar uma avaliação sincera sobre o seu comportamento e, como se preocupam com você, são capazes de dizer se os sintomas da nomofobia estão ou não evidentes.

Se você está preocupado com o uso excessivo de celular por parte dos seus filhos, observe se eles estão, de fato, dependentes demais do aparelho. O ideal é restringir o tempo de uso do telefone pela criança, especialmente as mais jovens, e evitar que elas recorram ao celular em tarefas cotidianas que podem ser concluídas sem ele.

A Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças menores de dois anos não tenham nenhuma exposição diária à televisão, celulares ou tablets. Já entre dois e cinco anos de idade, o “tempo de tela” não deve exceder uma hora por dia.

Existe tratamento?

A terapia é o tratamento indicado para reduzir essa dependência do celular. O psicólogo cognitivo-comportamental é capaz de compreender a raiz desse vício e aconselhar uma mudança nos hábitos de consumo do aparelho. Consulte o seu plano de saúde para mais informações e marque uma consulta.

Medicamentos são utilizados apenas em casos mais avançados, quando a nomofobia evolui para depressão e crises de ansiedade mais graves, mas a automedicação não é recomendada.

As pesquisas em torno da nomofobia ainda são recentes e pouco conclusivas, mas os casos que se encaixam nos sintomas descritos não param de crescer, afinal, aparelhos eletrônicos de todos os tamanhos e funções estão cada vez mais presentes na rotina de pessoas de todas as idades.

Por isso, vale a pena ficar de olho no seu comportamento e daqueles que você ama para não deixar que esse mal moderno interfira no seu bem-estar. Gostou de conhecer mais sobre esse tipo de dependência? Se você ainda não sabe por onde começar a pedir ajuda, deixe aqui seu comentário!

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Sobre Blog BEM SAUDÁVEL

Este blog é uma iniciativa da Unimed Belém e, o seu conteúdo, é voltado para orientar e inspirar pessoas que buscam uma vida mais saudável, feliz e equilibrada.

6 Comentários

    1. Blog BEM SAUDÁVEL

      Obrigado pelo apoio! 😉 Sua opinião é muito importante para nós.
      Assine a nossa newsletter e fique por dentro das novidades do blog!
      Abraços,
      Equipe Blog Bem Saudável

      Responder
  1. Remy Eskinazi

    Excelente artigo. Estou preocupado com meu filho de 14 anos que apresenta o comportamento descrito quando fica sem celular.

    Responder
    1. Blog BEM SAUDÁVEL

      Oi Remy,

      Agradecemos o seu elogio, sua opinião é muito importante para nós 😉

      O objetivo do blog é ampliar o cuidado com o bem-estar das pessoas, garantindo que todos tenham livre acesso a informações fundamentais à saúde. Se você quiser acompanhar nossos artigos, assine nossa newsletter!

      Abraços,

      Equipe Blog Bem Saudável.

      Responder

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