Conheça 5 perigos da automedicação!

Quem não tem em casa aquela caixa cheia de remédios carinhosamente apelidada de “farmacinha” que atire a primeira pedra. A verdade é que culturalmente lidamos com isso como um sinal positivo de precaução, mas raramente nos atentamos para os riscos de administrar medicamentos sem prescrição médica.

O Brasil é um dos maiores consumidores de medicamentos, sobretudo porque é fácil comprá-los sem prescrição e porque o acesso aos serviços de saúde muitas vezes é demorado. Se é um dos adeptos da automedicação, vem com a gente: temos 5 bons motivos para você dar um fim nessa prática imediatamente!

1. É uma das principais causas de intoxicação

“A diferença entre um remédio e um veneno está na dose”. Lembra desse ditado? Embora problemas acarretados pela automedicação ainda sejam pouco notificados, sabe-se que isso acontece porque o indivíduo geralmente administra um medicamento que foi indicado por alguém que não é profissional da saúde, ou na dose inadequada ou porque não conhecia as possíveis interações medicamentosas.

E engana-se quem acha que só está em risco quem faz o uso de medicamentos tarja preta: no Brasil, devido à facilidade de compra, os medicamentos mais vendidos são os anti-inflamatórios, antibióticos, antidepressivos e analgésicos, e eles também podem ser altamente tóxicos.

O paracetamol, por exemplo, tem sido a grande preocupação da comunidade científica: a maioria das pessoas ingere o medicamento para redução de febre e dor de cabeça, mas não sabe que ele está presente também nos antigripais em associação com outros componentes. Assim, uma pessoa gripada que está se automedicando pode fazer o uso do paracetamol duplamente sem saber e ultrapassar facilmente a dose recomendada, gerando dano ao fígado.

O uso prolongado de anti-inflamatórios, como a aspirina e nimesulida, pode provocar problemas renais, lesões gástricas e aumentam o risco para hemorragias. A intoxicação dependerá de fatores como o tempo de exposição à substância, sua concentração e natureza, da susceptibilidade do indivíduo — é preciso ficar de olho nas alergias — e à forma de absorção (inalação, ingestão ou pela pele). Os sinais de uma intoxicação dependem da substância administrada, podendo causar irritação nos olhos, nariz, garganta, pulmões ou pele. Outros indícios importantes são a asfixia e a sensação de anestesia.

2. Fortalece microrganismos patogênicos

Esse é o maior dos clichês quando o assunto é automedicação e não é pra menos: o uso indiscriminado de antibióticos é realizado não apenas pela população de forma geral, mas também pelas instituições de saúde e em práticas agropecuárias, o que multiplica a preocupação relativa à seleção de microrganismos resistentes e com grande potencial patológico.

Em outras palavras, em resposta à presença constante dos limitados antibióticos que conhecemos no meio ambiente, as bactérias evolutivamente mais adaptadas mudam seu modo de vida, formando biofilmes. Nessa estrutura, elas formam uma grande colônia aderida à superfície, ligando-se umas às outras e produzindo substâncias protetoras que aumentam sua toxidade.

A seleção de microrganismos e superbactérias aumenta o custo dos tratamentos, incrementa o índice de mortalidade e torna os períodos de hospitalização mais longos. Conforme os medicamentos perdem seu potencial de efeito, esgotam-se as opções terapêuticas e, no futuro, infecções que hoje são facilmente tratáveis poderão se tornar um grande problema. Por isso, faça a sua parte:

  • se estiver realizando tratamento com antibiótico, certifique-se de que a dosagem está correta;
  • nunca interrompa um tratamento antes do período previsto, ainda que os sintomas regridam;
  • não aceite ou faça doação de cartelas e comprimidos de antibiótico restantes de algum tratamento.

3. Atrapalha o diagnóstico precoce

A indústria farmacêutica nos convence, por meio do marketing, de que não há tempo para desconfortos e que é necessário sempre um alívio imediato que nos permita seguir a rotina. Acontece que todo sinal ou sintoma é um indicativo do corpo de que algo não vai bem e, ao silenciá-lo, você pode estar negligenciando ou mascarando indícios de um problema mais grave.

Um exemplo clássico é a “queimação” no estômago, que pode ser sinal de uma doença gástrica, e que é mascarada pelo uso de antiácidos por ser interpretada pelo indivíduo como gastrite. Da mesma forma, outros medicamentos que agem no tubo digestivo podem confundir uma dor de estômago com uma apendicite que necessitaria de intervenção imediata, e sabemos que o prognóstico da maioria das doenças é consideravelmente melhor quando há um diagnóstico precoce. Você não vai correr esse risco, vai?

4. Pode causar dependência química

Compramos medicamentos em estabelecimentos chamados drogarias porque, assim como o álcool e o tabaco, a maioria dessas substâncias são drogas que possuem alto potencial para a dependência química. Pode parecer bobagem, mas o abuso de alguns remédios, como os benzodiazepínicos, condiciona nosso corpo a funcionar sempre na presença daqueles princípios ativos, podendo levar até mesmo à abstinência. Alguns sinais de que o organismo está em abstinência são a ansiedade, insônia, irritabilidade, dor de cabeça e náuseas.

É importante entender que o vício pode ocorrer tanto na automedicação, quanto com medicamentos que foram prescritos, a diferença é que o médico deve saber exatamente quanto tempo deve durar o tratamento, quando é hora de suspender o remédio e como fazer isso de forma gradativa. Entre os campeões em gerar dependência química estão os ansiolíticos, remédios para dormir e para emagrecer.

5. Não leva em conta as individualidades

Enfim, podemos dizer que o grande problema de tomar o anticoncepcional que a amiga recomendou ou o resto do antibiótico de um tratamento antigo que sobrou na “farmacinha” da vizinha é que a automedicação ignora as necessidades e restrições de cada organismo. Além de muitas vezes falhar como terapêutica, essa prática pode causar danos irreversíveis e muito maiores do que a patologia inicial que se buscava curar.

Mulheres que possuem histórico familiar de distúrbios da coagulação, por exemplo, nem sempre podem fazer o uso de hormônios para contracepção ou para reposição hormonal, sob o risco de desenvolver trombose. Pessoas com suspeita de dengue também não podem tomar aspirina, e existem uma série de outras restrições de fármacos para hipertensão, diabetes e outras condições de saúde.

Por isso, diante da impossibilidade de ir ao médico, procure ao menos a orientação de um farmacêutico e consulte a cartilha da Anvisa sobre uso racional de medicamentos para tirar suas dúvidas. Se você gostou desse post, não deixe de compartilhar em suas redes sociais e contar para seus amigos sobre os riscos da automedicação!

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Sobre Blog BEM SAUDÁVEL

Este blog é uma iniciativa da Unimed Belém e, o seu conteúdo, é voltado para orientar e inspirar pessoas que buscam uma vida mais saudável, feliz e equilibrada.

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